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quinta-feira, 28 de abril de 2011


FIAT UNO, O PEQUENO GRANDE CARRO

Brasil, Betim – Minas Gerais, agosto de 1984, o Fiat 147, já com oito anos de idade, pedia sucessão, e a Fiat, lançava então o seu mais novo modelo: o Fiat Uno.
O Uno era um carro de conceito simples, duas portas, motores 1.3 e 1.05, suspensão traseira McPherson, a mesma do 147, maçanetas das portas embutidas, painéis com sistema “satélite” que agrupava todos os comandos em volta do volante,um único limpador de pára-brisa, vidros traseiros basculantes e outros itens que até então o consumidor não conhecia, O Uno trouxe várias inovações, e pouco a pouco conquistou o consumidor.

De inicio, o Uno estava disponível  em duas versões: Uno S (Super) e Uno CS (Confort Super), podendo ser 1.3 ou 1.05, dependendo da versão, o Uno S era bem simples, não possuía calotas integrais (apenas calotas no centro da roda), nem conta-giros, e nem limpador traseiro, já o Uno CS era mais completo, tinha calotas integrais, limpador traseiro, bomba do lavador de pára-brisa elétrica e muitos outros itens de conforto. O Uno tinha um Cx muito baixo: 0,36 favorecendo bastante a economia de combustível, o motor 1.05 tinha 58,2 cv, fazia até 15 km/l e tinha velocidade final em torno de 140 km/h, já o 1.3 tinha 52 cv fazia até 13 km/l e tinha velocidade final de 152 km/h.


Foi rejeitado por muitos, que lhe atribuíram o apelido de “Botinha Ortopédica”, pelo formato de carroceria inexistente até então, mas logo conquistou o público por ser econômico, potente, robusto, de pouca manutenção e funcional, uma vantagem, é que o estepe ficava sob o capo, evitando ter que descarregá-lo do porta malas.
Logo depois já saiu o Uno SX (Sport Experimental) de caráter esportivo, possuía um motor 1.3, com carburador de corpo duplo e desenvolvia 71,4 cv, suficiente para 155 km/h, o SX tinha pára-choque com spoiler incorporado, faróis de longo alcance, calotas integrais e moldura em preto fosco no arco dos pára-lamas. Na época, foi eleito o carro do ano.

 Em abril de 1985 a Fiat lançava o Prêmio, um sedã três - volumes da linha, o primeiro carro do país a ter um “computador de bordo” também oferecido no Uno, tinha um porta-malas imenso: 530 litros, com ele a Fiat aposentava o Oggi, o sedã da linha 147. Junto com o Prêmio era lançado o novo motor que equiparia toda a linha, o motor 1.5 Sevel de 71,4 cv com álcool, um campeão em força, potência e economia, e se caracterizava pelo curso dos pistões reduzido, propiciando grande suavidade de funcionamento e rápida subida de rotação. O motor Sevel era produzido por uma associação entre a Fiat e a Peugeot, com motor 1.5 o Prêmio fazia 13 km/l e 160 km/h.


E a família não demorou a crescer, logo em março de 1986 nascia a perua da linha Uno: a Elba.
A Elba tinha linhas bem harmoniosas, e tinha um Cx mais baixo que o próprio Uno: 0.34, era uma campeã no tamanho do porta malas, 610 litros até banco traseiro, para facilitar o acesso ao porta malas, a seção central do pára-choque era integrada à tampa, era muito econômica, fazia até 12 km/l com motor 1.5 e andava muito bem, 158 km/h.


No fim do ano toda a linha ganhava repetidores de direção no pára-lama, item de segurança que já havia equipado o 147, e por falar nele, o mesmo fora descontinuado com o lançamento da perua Elba.
Em 1987 a Fiat lançava o sucessor do SX: o Uno 1.5R, equipado com motor Sevel 1.5, o mesmo do Prêmio, porém tinha um comando de válvulas mais bravo, taxa de compressão mais alta, carburador de corpo duplo, e tinha 89 cv, os discos de freios dianteiros agora eram ventilados, rodas 5,5 x 13 pol com calotas integrais que pareciam discos de telefone e tinha pneus Pirelli P6 (165/70-13) com código de velocidade H, para até 210 km/h, embora sua velocidade final fosse 156 km/h, externamente o R tinha faixas laterais, aerofólio, tampa do porta-malas em preto fosco independente da cor da carroceria, e internamente tinha cintos de segurança vermelhos, e uma faixa central nos bancos, também vermelha.

Nessa época a Fiat iniciava a exportação do Prêmio e Elba para a Itália, porém os italianos exigiram modelos de quatro portas, aproveitando a oportunidade, a Fiat lançava então o Prêmio com opção de quatro portas: Prêmio CSL (Confort Luxo Super), devido ao formato das portas, foram usadas maçanetas salientes, mas o formato das portas traseiras impedia o uso de controle elétrico, e impunha estes uma abertura pela metade.

Em 1988 o modelo CSL do Prêmio ganha melhorias no motor, deixando-o mais parecido com  do 1.5R, passando a 82cv, com gasolina ou álcool.
A família estava quase completa, mais faltava um pick up e um furgão, a Fiat então remodelou os antigos Fiorino e City, que passaram a fazer parte da família, a City agora era denominada Fiorino Furgão, e ambos utilizavam o motor 1.3, e tinham a mesma suspensão traseira do Uno, só que mais reforçada para transporte de carga.


O Prêmio CS recebia motor 1.5 Sevel de 82 cv. E a suspensão de toda a linha era revista para menor desgaste dos pneus, retrovisores ficam mais amplos, novo sistema de rebatimento do banco dianteiro (o antigo sistema demandava muito esforço para bascular o banco) o Fiorino passava a usar um motor mais potente: o 1.5 E-201, que ficou conhecido como Fiasa (Fiat Automóveis S.A) para se diferenciar do Sevel argentino, esse novo motor mantinha o mesmo diâmetro de cilindros dos 1.3 e 1.05, e adotava um virabrequim de curso longo, gerando muito torque em poucas rotações. Possuía 71,4 cv de potência, mais o limite de giros era bem pouco e isso acarretava vibração e aspereza no funcionamento.
O 1.5 Fiasa estreou junto com a nova Fiorino, a LX (Luxe), tinha acabamento superior, vidros verdes,e faróis de longo alcance acoplados ao pára-choque, depois foi utilizado em todos os utilitários. Equipara também outros da família, como o Uno CS Export – uma edição limitada para exportação. O Uno CS Top – edição especial limitada trazia todos os itens opcionais disponíveis, usou o Motor 1.5 Sevel e o acabamento externo era bem próximo ao do Prêmio.
Em 1990 a família já estava completa: Uno Prêmio, Elba, Fiorino Pick Up e Fiorino Furgão, mais nem o Uno, nem a Elba tinham opção de quatro portas, a Fiat então, passou a oferecê-la em versão quatro portas, pois a mesma já era fabricada para exportação.


O motor 1.5 Sevel, era melhorado passando a 1.6, agora com 88 cv á álcool e 84 a gasolina, e junto com o motor 1.6 a Fiat sucedia o Uno 1.5R agora com motor 1.6, o novo esportivo trazia novo grafismo nas laterais, rodas de liga e toda suspensão era revista, o novo motor foi aplicado também ao Prêmio CSL.


No mesmo ano o motor 1.5 Fiasa recebia alterações, caía de 52 para 48cv, e passava a 1.0, inaugurando com ele o primeiro carro 1.0: o Uno Mille, Em apenas 60 dias a Fiat respondia à redução tributária efetuada pelo então presidente Fernando Collor e pela ministra da Economia Zélia Cardoso de Mello. Modelos de 800 a 1.000 cm3 passavam a receber alíquota de 20% do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), metade do praticado até então.
Segundo a Fiat o Fiasa 1.0 já era produzido para exportação, embora não constasse em nenhuma publicação estrangeira. Era um motor muito bom, subia de giros rapidamente, fazia até 14 km/l e tinha 135 km/h de velocidade final, o Uno Mille era bem despojado, tinha revestimento dos bancos parcial em curvim, não tinha marcador de temperatura, e nem difusores de ar laterais e repetidores de direção no pára-lama (as outras versões deixariam de ter em 1992). Alguns itens eram de linha no Uno, nele era opcional.


A suspensão dianteira do Uno Mille era diferente, trazia dois tensores que faziam a tarefa de manter a posição das rodas em acelerações, antes um encargo do estabilizador. Até então, ao sair forte com um Uno às rodas assumiram posições indesejadas, prejudicando a transmissão de potência.
Um ano depois veio a concorrência, Chevette Junior, Gol com motor AE 1.0, mais era difícil ser melhor que o Uno Mille, ele tinha economia e potência em um só carro.
Algum tempo depois a linha ganhava uma nova frente, (exceto Uno Mille) com faróis de perfil baixo, mais sem melhoras na aerodinâmica. Os Unos CS e 1.6R ganhavam bagageiro no teto e teto solar, este com deslocamento manual.


No ano seguinte a Fiat lançou uma série especial limitada o Mille Brio, tinha carburador de corpo duplo e desenvolvia 54 cv e a Elba Weekend (fim de semana, em inglês) com motor 1.5 Fiasa e finalmente uma versão quatro portas, a Fiorino LX recebia o Motor 1.6 Sevel, e era renomeada Fiorino LX HD (Luxe Heavy Duty) ganhando “santantônio”, faróis de longo alcance e retrovisores bem maiores.


As normas antipoluição, mais rigorosas, obrigaram a Fiat a usar catalisador nos modelos de 1992, traduzindo, menos poluição e menos potência, no caso do Uno Mille caiu de 48 para 47 cv. Mais a Fiat compensou a perda usando o 1.5 Fiasa no Uno S e CS, inicialmente com carburador e 61 cv, depois com injeção eletrônica monoponto e ignição digital integradas resultando em 73 cv á álcool e 67,3 á gasolina, com essa modificação não era mais preciso o uso do catalisador (o catalisador é caro, inclusive na reposição) e nem afogador.
Poderia ser aplicada essa mesma solução no Uno Mille, mais o custo seria proibitivo, então foi empregando apenas a ignição digital, que permitia alta taxa de compressão, com carburador de corpo duplo, como no extinto Uno Mille Brio, o resultado foi o Mille Electronic, lançado em novembro de 1992, e era tão potente que superava facilmente seus adversários Gol 1.0 e Chevette Júnior. Era o 1.0 mais rápido do mundo! Com o lançamento do Mille Electronic, a Fiat então dividia a família em dois: Uno e Mille, o Mille mantinha o motor 1.0, e o Uno possuía motores mais potentes.
E não foi só isso, com o Mille Electronic a Fiat introduziu o modelo de quatro portas do Uno e Mille, e foi o primeiro 1.0 com ar - condicionado, este desligava o compressor em altas rotações para facilitar ultrapassagens. Algum tempo atrás a Fiat havia importado o Uno CSL da Argentina, com quatro portas e motor 1.6 Sevel de 80 cv e catalisador, mais não teve muita aceitação do consumidor pela qualidade de construção.

O Electronic foi escolhido para representar a Fiat no protocolo do carro popular -- aquele do ex-presidente Itamar Franco (que ressuscitou o Fusca), em fevereiro de 1993. Era o mesmo carro, exceto pelas barras da marca menores na grade e um emblema alusivo ao Palácio da Alvorada junto ao nome Mille.
Em 1993 a Fiat mais uma vez sucedia ao 1.6R, agora com o Uno 1.6R mpi, com injeção multiponto, o R esbanjava desempenho com seus 92 cv, e o acabamento externo era sensacional, tinha novas rodas e lanternas fumê.Em 1994 o R recebeu um novo painel, sem os antigos “satélites”, e opção de direção assistida que já vinha sendo solicitada há muito tempo.


Em janeiro de 1994 a Chevrolet lançava o Corsa Wind, agitando o segmento de 1,0 litro. Como o sucessor do Uno ainda levaria dois anos para chegar, a Fiat respondeu no mês seguinte com o Mille ELX (Electronic Luxe), versão de luxo de seu carro popular - por contraditório que possa parecer... Além do ar-condicionado, podia ser equipado com controle elétrico dos vidros e travas, vinha com a frente "baixa" do restante da linha, pneus 165/70, um excelente volante de quatro raios e novo painel similar ao do 1.6R mpi, embora sem conta-giros. Somados às cinco portas, eram convincentes argumentos contra a novidade da GM.




Na mesma época era adotado um novo câmbio, denominado Termoli em alusão à cidade italiana onde era fabricado. Suas principais diferenças eram o seletor de marchas na parte superior e a disposição das engrenagens de ré, que eliminava o ruído ao engatar a primeira com o carro em movimento, por muitos confundido com defeito ou mesmo com uma primeira não-sincronizada.
Ainda em 1994 a Fiat lançava o primeiro carro nacional com Turbocompressor original de fábrica, e o Uno foi o pioneiro a ter essa primazia, o Uno Turbo i.e o motor era o 1.4 Sevel – importado, tinha intercooler, radiador de óleo e possuía 115 cv de potência, e tinha velocidade final de 195 km/h, fazia de 0 a 100 km/h e 9,2 segundos, mais o turbo demorava a encher, fazendo dele um carro de dupla personalidade, era um carro bem suave em baixas rotações, e muito esportivo em altas, tinha rodas de 14 pol com pneus 185/60 eram montadas em cubos de Tempra, do qual também vinham os freios, com discos ventilados de 257 mm Ø à frente; a suspensão foi redimensionada e havia uma barra de amarração (stress bar) entre as torres dianteiras. O estilo mostrava identidade própria e pára-choques de formato exclusivo, com spoiler incorporado Bancos envolventes, volante de três raios exclusivo e painel completo -- incluindo manômetros de óleo e de turbo e termômetro de óleo -- realçavam a esportividade do interior. E o estepe ficava no porta-malas, reduzindo-o bastante. Era bem mais rápido que Chevrolet Vectra e Gol GTI, rivalizando-o bem com ambos.





Os utilitários Fiorino e Fiorino furgão ganhavam no mesmo ano maior distancia entre eixos, suspensão traseira de eixo rígido, deixando para trás a McPherson do Uno e suas limitações no transporte de carga. Surgia também a opção do motor 1,0-litro de 56 cv para eles, sem grande sucesso no setor, e em 1995 o Fiorino Trekking, com suspensão e pneus mais altos.
O motor 1.6 Sevel i.e era estendido á Elba na Versão Elba Top, com quatro portas e pára-choques e pintura inferior em cinza, o Prêmio de duas portas era descontinuado, junto com Uno 1.6R, já que o Turbo i.e, cumpria o papel de esportivo da família.



Ainda em 1995 era lançado a última versão do Uno, o Uno 1.6 mpi, com o mesmo motor do 1.6R mpi com duas e quatro portas e acabamento requintado, incluindo belas rodas de alumínio. Em seguida o Mille Electronic igualava-se aos irmãos mais ricos no aspecto frontal.
O Uno era descontinuado e o Mille ELX era renomeado Mille EP (Extra Power) e o Electronic Mille i.e, ambos com motor 1.0 Fiasa e injeção eletrônica monoponto, o Prêmio passava a vir da Argentina com nova nomenclatura: Duna 1.6 i.e, no fim do ano a Fiat divulgava imagens do Palio, que seria sucessor do Uno.




Assim que o Palio era lançado o Uno 1.6 mpi era descontinuado, restando apenas versões 1.0 Fiasa, o Mille, que era renomeado Mille SX (Sport Experimental) que contou com a série limitada Mille SX Young (Sport Experimental Jovem), e usava catalisador gerando 57 cv. o Fiorino ganhava o mesmo motor do Palio, um 1.5 com injeção multiponto e 76 cv.
Meses depois a Elba era descontinuada, sucedida pela Palio Weekend, Tendo sua ultima edição com motor 1.6 Sevel e Com injeção eletrônica.





Em 1998 o Mille SX se tornava Mille EX (Executive), e a Fiorino era descontinuada, sendo substituída pelo Strada. Em março de 2000 era lançado o Mille Smart (Inteligente) que trazia nova grade e volante de quatro raios. A última evolução foi a adoção do motor Fire de 55 cv, em julho último, pondo fim ao veterano Fiasa 1.000.



Em 2004 a Fiat lança uma nova versão do uno, com o mesmo motor 1.0 Fire, e com carroceria diferente, permanecendo em produção até hoje com versões Fire, Fire Economy, Economy Way e Way Adventure, Fiorino e Fiorino furgão ainda são fabricados com a mesma frente do Mille Fire, e motor 1.5 Fire de 78 cv.


Quando será o fim do Mille? Impossível dizer, um carro que teve um inicio tímido e pouco a pouco conquistou o mundo, robusto, potente, econômico e durável, o Uno marcou a história nacional assim como marcou o coração de muitos.